Quando esse blog nasceu eu ainda estava na casa dos 20, era universitária, fanzineira, gostava de ler, escrever e beber gim. Aqui havia um template lindo, textos intensos e por hora idiotas, rimas ricas e pobres, uma leva de leitores fiéis e simpáticos, seus comentários assíduos é que deixavam essa bolha cheia. Agora, na casa dos 30, minhas sedes não são de gim, sou mestra, professora, leio teorias e tenho um novo par de olhos. Não crio expectativas quanto ao retorno. Não crie!
10.10.12
Fração de segundos
Faz muito calor nessa quarta-feira de outubro em Belo Horizonte.
Peguei o ônibus lotado e no meio de todo aquele cheiro de cachaça exalando no ar, a moça ao lado estava banhada em sundown. Não teve jeito, meu processo de semiose foi: sundown, areia nos pés, água salgada e o calor do sol queimando meu corpo, vento forte refrescando a nuca, água de côco gelada, maresia embaçando o óculos escuro, gosto de caranguejo na boca...
uma velha grita: ô motô, abreaporta qui quero descê do ôns!
eis que uma tristeza se instala.
prainha.
10.10.11
24.5.11
Você sabe,
Você sabe,
"a banda mais bonita da cidade" é só mais uma prova de que, a informação exacerbada e massiva que as redes sociais oferecem é aniquiladora, destrutiva e inconveniente a ponto de reduzir tudo ao pó. A efemeridade nunca foi tão visível, quase posso ver através do monitor (como se fosse uma bola de cristal) o futuro da banda.
Eu por exemplo, nunca vi um show “dA banda mais bonita da cidade” e já estou cansada de todo esse alarde. Os integrantes em algumas entrevistas comentaram a felicidade pela explosão e “sucesso” que estão tendo, mas cá entre nós, na rede é tudo tão previsível... E por mais bonitinho que seja, tudo em exagero cansa a gente!
O que posso confessar é que de cara eu gostei do som! que de fato lembra outras tantas bandas, como a belo horizontina “Transmissor”, que tem musiquinhas lindas e agradáveis tanto quanto; mas talvez a alegria posta no clipe, a casa exótica e linda escolhida para cenário fez todo diferencial, só não me parece tão diferente de “O teatro mágico”, que com letras inteligentíssimas e figurino de palhaço, jogou as músicas na rede e conquistou um grande público. Nunca vou esquecer do primeiro show que vi do O teatro mágico, em São Paulo, de graça em pleno vale do anhangabau, onde todos curtiam as músicas com trocadilhos interessantes e a batidinha gostosa, até que o público foi aumentando, a faixa etária diminuindo e enfim, conquistaram o público mais jovem! Um marco para o deslize da carreira.
Preciso dizer sobre o que o monitor me disse a respeito do futuro de “a banda mais bonita da cidade”?
A dica que vale para esse mundo de compartilhamento e de “curtição” é que, até semana passada essa era sim uma grande novidade na rede, mas...
Passou!
"a banda mais bonita da cidade" é só mais uma prova de que, a informação exacerbada e massiva que as redes sociais oferecem é aniquiladora, destrutiva e inconveniente a ponto de reduzir tudo ao pó. A efemeridade nunca foi tão visível, quase posso ver através do monitor (como se fosse uma bola de cristal) o futuro da banda.
Eu por exemplo, nunca vi um show “dA banda mais bonita da cidade” e já estou cansada de todo esse alarde. Os integrantes em algumas entrevistas comentaram a felicidade pela explosão e “sucesso” que estão tendo, mas cá entre nós, na rede é tudo tão previsível... E por mais bonitinho que seja, tudo em exagero cansa a gente!
O que posso confessar é que de cara eu gostei do som! que de fato lembra outras tantas bandas, como a belo horizontina “Transmissor”, que tem musiquinhas lindas e agradáveis tanto quanto; mas talvez a alegria posta no clipe, a casa exótica e linda escolhida para cenário fez todo diferencial, só não me parece tão diferente de “O teatro mágico”, que com letras inteligentíssimas e figurino de palhaço, jogou as músicas na rede e conquistou um grande público. Nunca vou esquecer do primeiro show que vi do O teatro mágico, em São Paulo, de graça em pleno vale do anhangabau, onde todos curtiam as músicas com trocadilhos interessantes e a batidinha gostosa, até que o público foi aumentando, a faixa etária diminuindo e enfim, conquistaram o público mais jovem! Um marco para o deslize da carreira.
Preciso dizer sobre o que o monitor me disse a respeito do futuro de “a banda mais bonita da cidade”?
A dica que vale para esse mundo de compartilhamento e de “curtição” é que, até semana passada essa era sim uma grande novidade na rede, mas...
Passou!
11.4.11
Coca-cola "razões para acreditar"
Recentemente tivemos aqui em casa 2 problemas com as garrafas da coca-cola, mais precisamente com as tampas.
Um ocorreu em uma semana e o outro na posterior, com uma garrafa de 500ml e outra de 1,5L. As garrafas estavam impossíveis de abrir, após muitas tentativas e machucar as mãos, tentamos com um pano. Não deu! Até que decidi esquentar uma faca no fogão e tentar abrir abaixo do gargalo. Funcionou!
Mas óbvio que no caso da coca-cola de 1,5L não é tão interessante essa solução porque é preciso consumí-la de imediato, para que o gás não saia.
Consequente a isso, eu e Tina escrevemos para a empresa notificando o caso e até fotografamos as garrafas para manter como registro.
Hoje, uma semana após a notificação, um representante da coca-cola veio até minha casa trazendo um brinde, duas coca-colas de 1,5L e duas de 500ml, mais uma sacola ecológica reutilizável.
O rapaz pediu mil desculpas em nome da empresa e comunicou que caso aconteça novamente, o certo é guardar o refrigerante, notificar, que logo a empresa repõe.
No nosso caso nós guardamos a garrafa cortada.
Quanto ao conselho do representante, o que eu posso fazer é assinar embaixo. Portanto, caso aconteça com mais alguém, não esqueça, o certo é notificar!
Um ocorreu em uma semana e o outro na posterior, com uma garrafa de 500ml e outra de 1,5L. As garrafas estavam impossíveis de abrir, após muitas tentativas e machucar as mãos, tentamos com um pano. Não deu! Até que decidi esquentar uma faca no fogão e tentar abrir abaixo do gargalo. Funcionou!
Mas óbvio que no caso da coca-cola de 1,5L não é tão interessante essa solução porque é preciso consumí-la de imediato, para que o gás não saia.
Consequente a isso, eu e Tina escrevemos para a empresa notificando o caso e até fotografamos as garrafas para manter como registro.
Hoje, uma semana após a notificação, um representante da coca-cola veio até minha casa trazendo um brinde, duas coca-colas de 1,5L e duas de 500ml, mais uma sacola ecológica reutilizável.
O rapaz pediu mil desculpas em nome da empresa e comunicou que caso aconteça novamente, o certo é guardar o refrigerante, notificar, que logo a empresa repõe.
No nosso caso nós guardamos a garrafa cortada.
Quanto ao conselho do representante, o que eu posso fazer é assinar embaixo. Portanto, caso aconteça com mais alguém, não esqueça, o certo é notificar!
28.3.11
Dia 26 de março de 2011,
acordei na madrugada com a pesada notícia, e o que fiz foi tentar deixar que as saudosas lembranças crescessem em mim e que me dessem uma pitada de alegria.
Nós da família Cavalcanti, da família Souza Bruzugu, da família jipeiros e amigos, fomos presenteados por ter tido o Dedé em nossas vidas.
E aceitar esse descanso com o peito mais calmo,
é sentir o cheiro gostoso de um acarajé e lembrar dele.
É tomar um café da manhã no mercado.
Contar uma estória engraçada.
É pular livre em um açude gelado.
Preparar um bom churrasco para os amigos e familiares.
É se lambuzar de lama empurrado um carro atolado.
Lembrar dele é tomar uma chuveirada gelada no quintal de casa.
É molhar o pão numa sopa quentinha,
É dormir sentado.
Parar no fim da tarde pra assistir o jornal.
Remendar os fios de um telefone pra distrair as angústias.
É ouvir qualquer absurdo de um jeito bem calmo.
É viajar de carro conhecendo cidades.
É curtir Fortaleza, Bonito, Bolívia, Peru...
Lembrar dele é segurar firme o volante de um jipe e subir montanhas, descer buracos.
É aventurar-se!
Lembrar dele é também cantar bem alto
“As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vão levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar”
É deixar que as velas levem as mágoas, as dores, a saudade e que todos os bons momentos sejam lembrados ou revividos com muita, mas muita alegria.
Vai Dedé, segura essa vela com a mesma firmeza que você segurava o volante de um jipe e vai ser feliz, que isso você sempre soube fazer.
[dedicado a Demóstenes Cavalcanti, tio "Dedé"].
acordei na madrugada com a pesada notícia, e o que fiz foi tentar deixar que as saudosas lembranças crescessem em mim e que me dessem uma pitada de alegria.
Nós da família Cavalcanti, da família Souza Bruzugu, da família jipeiros e amigos, fomos presenteados por ter tido o Dedé em nossas vidas.
E aceitar esse descanso com o peito mais calmo,
é sentir o cheiro gostoso de um acarajé e lembrar dele.
É tomar um café da manhã no mercado.
Contar uma estória engraçada.
É pular livre em um açude gelado.
Preparar um bom churrasco para os amigos e familiares.
É se lambuzar de lama empurrado um carro atolado.
Lembrar dele é tomar uma chuveirada gelada no quintal de casa.
É molhar o pão numa sopa quentinha,
É dormir sentado.
Parar no fim da tarde pra assistir o jornal.
Remendar os fios de um telefone pra distrair as angústias.
É ouvir qualquer absurdo de um jeito bem calmo.
É viajar de carro conhecendo cidades.
É curtir Fortaleza, Bonito, Bolívia, Peru...
Lembrar dele é segurar firme o volante de um jipe e subir montanhas, descer buracos.
É aventurar-se!
Lembrar dele é também cantar bem alto
“As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vão levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar”
É deixar que as velas levem as mágoas, as dores, a saudade e que todos os bons momentos sejam lembrados ou revividos com muita, mas muita alegria.
Vai Dedé, segura essa vela com a mesma firmeza que você segurava o volante de um jipe e vai ser feliz, que isso você sempre soube fazer.
[dedicado a Demóstenes Cavalcanti, tio "Dedé"].
23.1.11
"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver".
[do meu eterno amigo fantasminha, Caio F.]
[do meu eterno amigo fantasminha, Caio F.]
6.11.10
Você voltaria a morar "na cidade onde enterraram o seu umbigo"?
Sempre que mudo de uma cidade para outra sou coberta por uma esperança indescritível, fico cega, surda e muda, e ao mesmo tempo enxergo beleza nas coisas mais sutis, no caos, no fluxo, nas luzes, nas pessoas, na riqueza e até na pobreza urbana, tudo me deixa maravilhada!
Fazer novos amigos é um tanto assustador e trabalhoso, mas de repente aquela chateação de contar sua vida tim tim por tim tim, até ganhar a aprovação do outro passa despercebida. Logo seu telefone não pára de tocar, é gente chamando para um bar, para dançar e lá está você, feliz ao redor de pessoas que até então eram desconhecidas.
Com o passar do tempo a cidade vai tomando outra forma, ficando pequena demais, acelerada demais, e viver nela é como desembrulhar um fardo diariamente.
Aí vem aquela sensação de retrocesso, quando na verdade você só buscava acertos ou apenas um lugar tranqüilo e feliz para viver, mas de repente você se depara com a deprimente possibilidade de não ter feito a escolha certa. Esse não é o local onde quero morar!
É como diz Caio Fernando Abreu, “você não sabe, mas acontece assim quando você sai de uma cidadezinha que já deixou de ser sua e vai morar noutra cidade, que ainda não começou a ser sua. Você sempre fica meio tonto quando pensa que não quer ficar, e que também não quer - ou não pode – voltar.”
Sair de uma cidade por escolha própria é sem dúvida ter a absoluta certeza de que ela já não é mais sua, de que você tem sede do novo e de maiores possibilidades. Para muitos, voltar é como assinar o atestado de erro, de fracasso. Você fracassou! E sempre vai ter alguém pra dizer: eu avisei!
O fato é que aqui no Brasil toda cidade é igual! Uma cidade pequena tem as mesmas falhas e confortos que outras cidades pequenas. Uma cidade grande caminha e cresce na ambição, na pausa ou rapidez de toda cidade grande.
Você pode até revisitar lugares em que foi absurdamente feliz, mas dificilmente as pessoas voltam a viver "na cidade onde enterraram o umbigo", por questões extremamente óbvias. Já não há novidade ali! E quando a outra cidade também deixa de ser novidade, quando você percebe que nas festas estão sempre as mesmas pessoas; no restaurante em que almoça tem sempre as mesmas comidas; que os sotaques são todos arrastados cada um do seu modo; que todo bairrista é fanático e defende uma imagem que quase nem sempre existe; que os excessos e carências são os mesmos...
Lembre-se, quando a noite cai e o sono se perde no embrulho do fardo, há sempre um sol brilhando do outro lado do mundo
Sempre que mudo de uma cidade para outra sou coberta por uma esperança indescritível, fico cega, surda e muda, e ao mesmo tempo enxergo beleza nas coisas mais sutis, no caos, no fluxo, nas luzes, nas pessoas, na riqueza e até na pobreza urbana, tudo me deixa maravilhada!
Fazer novos amigos é um tanto assustador e trabalhoso, mas de repente aquela chateação de contar sua vida tim tim por tim tim, até ganhar a aprovação do outro passa despercebida. Logo seu telefone não pára de tocar, é gente chamando para um bar, para dançar e lá está você, feliz ao redor de pessoas que até então eram desconhecidas.
Com o passar do tempo a cidade vai tomando outra forma, ficando pequena demais, acelerada demais, e viver nela é como desembrulhar um fardo diariamente.
Aí vem aquela sensação de retrocesso, quando na verdade você só buscava acertos ou apenas um lugar tranqüilo e feliz para viver, mas de repente você se depara com a deprimente possibilidade de não ter feito a escolha certa. Esse não é o local onde quero morar!
É como diz Caio Fernando Abreu, “você não sabe, mas acontece assim quando você sai de uma cidadezinha que já deixou de ser sua e vai morar noutra cidade, que ainda não começou a ser sua. Você sempre fica meio tonto quando pensa que não quer ficar, e que também não quer - ou não pode – voltar.”
Sair de uma cidade por escolha própria é sem dúvida ter a absoluta certeza de que ela já não é mais sua, de que você tem sede do novo e de maiores possibilidades. Para muitos, voltar é como assinar o atestado de erro, de fracasso. Você fracassou! E sempre vai ter alguém pra dizer: eu avisei!
O fato é que aqui no Brasil toda cidade é igual! Uma cidade pequena tem as mesmas falhas e confortos que outras cidades pequenas. Uma cidade grande caminha e cresce na ambição, na pausa ou rapidez de toda cidade grande.
Você pode até revisitar lugares em que foi absurdamente feliz, mas dificilmente as pessoas voltam a viver "na cidade onde enterraram o umbigo", por questões extremamente óbvias. Já não há novidade ali! E quando a outra cidade também deixa de ser novidade, quando você percebe que nas festas estão sempre as mesmas pessoas; no restaurante em que almoça tem sempre as mesmas comidas; que os sotaques são todos arrastados cada um do seu modo; que todo bairrista é fanático e defende uma imagem que quase nem sempre existe; que os excessos e carências são os mesmos...
Lembre-se, quando a noite cai e o sono se perde no embrulho do fardo, há sempre um sol brilhando do outro lado do mundo
27.8.10
23.8.10
faço meus planos debaixo dos panos.
alegrias e tormentos tudo embalado em papel de cetim, alguns pacotes jogados ao lixo, outros remexo e acobo por achar perdidos em cantos empoeirados da casa.
a vizinha insiste em saber das coisas de cá, vejo em seus olhos um mar de curiosidades, quase não pisca para que não deixe escapar qualquer novidade.
e essas são tantas.
mas numa visão bem benjaminina, um segredo deixa de ser segredo quando é contado à outrem.
o que pode escapulir feito rebento é que a alegria de cá tem essência de chá verde.
e os planos debaixo dos panos são tricotados em lã macia de tons bem claros.
pois felicidade é um trocinho que só cabe a mim.
ou em mim.
alegrias e tormentos tudo embalado em papel de cetim, alguns pacotes jogados ao lixo, outros remexo e acobo por achar perdidos em cantos empoeirados da casa.
a vizinha insiste em saber das coisas de cá, vejo em seus olhos um mar de curiosidades, quase não pisca para que não deixe escapar qualquer novidade.
e essas são tantas.
mas numa visão bem benjaminina, um segredo deixa de ser segredo quando é contado à outrem.
o que pode escapulir feito rebento é que a alegria de cá tem essência de chá verde.
e os planos debaixo dos panos são tricotados em lã macia de tons bem claros.
pois felicidade é um trocinho que só cabe a mim.
ou em mim.
18.8.10
- alento -
“Quando mais nada houver
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.
E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.
Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.”
aspas de caio fernando abreu.
“Quando mais nada houver
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.
E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.
Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.”
aspas de caio fernando abreu.
Assinar:
Postagens (Atom)

