a vida é cheia de peripércias, senão, de buraquinhos
dá o play!
Quando esse blog nasceu eu ainda estava na casa dos 20, era universitária, fanzineira, gostava de ler, escrever e beber gim. Aqui havia um template lindo, textos intensos e por hora idiotas, rimas ricas e pobres, uma leva de leitores fiéis e simpáticos, seus comentários assíduos é que deixavam essa bolha cheia. Agora, na casa dos 30, minhas sedes não são de gim, sou mestra, professora, leio teorias e tenho um novo par de olhos. Não crio expectativas quanto ao retorno. Não crie!
17.4.08
11.4.08
4.4.08
Momento Diarinho:
* Depois de receber alguns e-mails pedindo que eu voltasse a escrever os “momentos diarinhos”, resolvi atender aos pedidos. Para os novos leitores, “momento diarinho” é uma “sessão” deste blog em que faço jus ao que chamamos de diário virtual, é bem dizer é o que há de mais expositivo aqui, porque os demais textos quando não são pura ficção, são pura mentira mesmo, ou não! São tópicos soltos, frases avulsas, há também trechos de livros, dicas de filmes, piadas internas e meias palavras, porque para o bom entendedor é o que basta! Então vamos lá.
* O que toca nas caixas de cá é Travis, com Flowers In The Window.
* Que venha abril.
* O que não tem preço: Poder caminhar pela cidade, descobrir as entranhas do bairro onde você dorme e acorda. Bom sentir o asfalto esquentando a sola do pé, o sol batendo na moleira, o vento secando o suor. Bom sair na noite e andar em plena madrugada pra lá e pra cá sem problema algum; sentar no primeiro bar que encontra e poder pedir qualquer cerveja que você imaginar. Poder combinar com amigos no centro da cidade mesmo que já seja noite e se divertir sem temor. Caminhar pela cidade é coisa de Deus, não é Mirella?
* Aos que sentem saudade da gata pé duro que mora comigo: Dina está cada vez mais linda e danada, e continua exibidíssima, basta uma visita chegar que é atrevimento na certa!
* “Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo. O que vem depois, não se sabe” [do Caio F.]
* Dica de filme: Trem da vida.
* Ah meu bem, abra esses olhos cheios de razão e caminha em passos lentos, porque apressados é em vão.
* Logo acrescento na minha agenda diária o retorno à academia.
* “Era perfectamente natural que te acordaras de él a la hora de las nostalgias, cuando uno se deja corromper por esas ausencias que llamamos recuerdos y hay que remendar con palabras y con imágenes tanto huenco insaciable” [Julio Cortázar]
* Sorvete de milho é cangica gelada.
* Nóoorrrr!
* A pessoa se muda de mala e cuia pra tentar fazer o mestrado em uma universidade que tem o título de melhor mestrado em teoria da literatura do Brasil, tenho um horário de estudos a cumprir que vai de segunda a sábado, bem dizer o dia inteiro só de leitura, só não na quinta-feira – que é pra arrumar a casa, lavar roupas, resolver coisas – e de repente, eu ganho de presente um “sudoku eletrônico”. Acho que não preciso dizer mais nada, só preciso é de uma greve de pilhas ou pelo menos o fim das pilhas recarregáveis.
* “O mundo esquece tanto que nem sequer dá pela falta do que esqueceu” [José Saramago]
* O ruim de mudar não é só o trabalho que dá, mas principalmente quando chega a bendita hora de fazer uma “auto-faxina” e ter que descobrir na cidade em que você reside, onde fica o melhor salão, a melhor depiladora, a melhor manicure... até lá, você vai se adaptando a sobrancelha que mais parece uma juba em cima dos olhos, a ruma de pêlos, a unha roçando no lençol e toda a ausência de frescurinha que faz bem.
* Bom de reler: O Ovo Apunhalado. De Caio Fernando Abreu.
* Ok, não conheci a casa do Guimarães Rosa mas o show do Interpol compensou.
* “Essa coisa de que chamamos saudade e que é preciso alimentar com pequenos rituais para que a memória não se desfaça como uma velha tapeçaria exposta ao vento” [do Caio F.]
* Das coisas que eu queria ter hoje, agora, já: Um carrinho de feira, pra eu comprar frutas no sacolão pertinho de casa; mais paredes pra pendurar meus quadros; internet no quartim e uma cozinha, grande, média ou pequena, mas uma cozinha.
* Meta
Mofo
Vozes
* Já temos onde guardar a louça bonita que herdei da vovó; compramos uma mesa útil para computadores e podermos fazer a nossa alimentação; compramos também uma estante para guardar roupas; a TV miúda que funciona; temos estantes singelas para os quase 800 livros; um DVD instalado por amigo querido e um puf que vira sofá cama e acomoda qualquer visita paciente com a gata doida que fica correndo pela casa em plena madrugada.
* “É por causa das qualidades de nossa mente e corpo que somos quem somos” [Simon Blackburn]
*Meus queridos, felicidade é se permitir!
dá o play!
* Depois de receber alguns e-mails pedindo que eu voltasse a escrever os “momentos diarinhos”, resolvi atender aos pedidos. Para os novos leitores, “momento diarinho” é uma “sessão” deste blog em que faço jus ao que chamamos de diário virtual, é bem dizer é o que há de mais expositivo aqui, porque os demais textos quando não são pura ficção, são pura mentira mesmo, ou não! São tópicos soltos, frases avulsas, há também trechos de livros, dicas de filmes, piadas internas e meias palavras, porque para o bom entendedor é o que basta! Então vamos lá.
* O que toca nas caixas de cá é Travis, com Flowers In The Window.
* Que venha abril.
* O que não tem preço: Poder caminhar pela cidade, descobrir as entranhas do bairro onde você dorme e acorda. Bom sentir o asfalto esquentando a sola do pé, o sol batendo na moleira, o vento secando o suor. Bom sair na noite e andar em plena madrugada pra lá e pra cá sem problema algum; sentar no primeiro bar que encontra e poder pedir qualquer cerveja que você imaginar. Poder combinar com amigos no centro da cidade mesmo que já seja noite e se divertir sem temor. Caminhar pela cidade é coisa de Deus, não é Mirella?
* Aos que sentem saudade da gata pé duro que mora comigo: Dina está cada vez mais linda e danada, e continua exibidíssima, basta uma visita chegar que é atrevimento na certa!
* “Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo. O que vem depois, não se sabe” [do Caio F.]
* Dica de filme: Trem da vida.
* Ah meu bem, abra esses olhos cheios de razão e caminha em passos lentos, porque apressados é em vão.
* Logo acrescento na minha agenda diária o retorno à academia.
* “Era perfectamente natural que te acordaras de él a la hora de las nostalgias, cuando uno se deja corromper por esas ausencias que llamamos recuerdos y hay que remendar con palabras y con imágenes tanto huenco insaciable” [Julio Cortázar]
* Sorvete de milho é cangica gelada.
* Nóoorrrr!
* A pessoa se muda de mala e cuia pra tentar fazer o mestrado em uma universidade que tem o título de melhor mestrado em teoria da literatura do Brasil, tenho um horário de estudos a cumprir que vai de segunda a sábado, bem dizer o dia inteiro só de leitura, só não na quinta-feira – que é pra arrumar a casa, lavar roupas, resolver coisas – e de repente, eu ganho de presente um “sudoku eletrônico”. Acho que não preciso dizer mais nada, só preciso é de uma greve de pilhas ou pelo menos o fim das pilhas recarregáveis.
* “O mundo esquece tanto que nem sequer dá pela falta do que esqueceu” [José Saramago]
* O ruim de mudar não é só o trabalho que dá, mas principalmente quando chega a bendita hora de fazer uma “auto-faxina” e ter que descobrir na cidade em que você reside, onde fica o melhor salão, a melhor depiladora, a melhor manicure... até lá, você vai se adaptando a sobrancelha que mais parece uma juba em cima dos olhos, a ruma de pêlos, a unha roçando no lençol e toda a ausência de frescurinha que faz bem.
* Bom de reler: O Ovo Apunhalado. De Caio Fernando Abreu.
* Ok, não conheci a casa do Guimarães Rosa mas o show do Interpol compensou.
* “Essa coisa de que chamamos saudade e que é preciso alimentar com pequenos rituais para que a memória não se desfaça como uma velha tapeçaria exposta ao vento” [do Caio F.]
* Das coisas que eu queria ter hoje, agora, já: Um carrinho de feira, pra eu comprar frutas no sacolão pertinho de casa; mais paredes pra pendurar meus quadros; internet no quartim e uma cozinha, grande, média ou pequena, mas uma cozinha.
* Meta
Mofo
Vozes
* Já temos onde guardar a louça bonita que herdei da vovó; compramos uma mesa útil para computadores e podermos fazer a nossa alimentação; compramos também uma estante para guardar roupas; a TV miúda que funciona; temos estantes singelas para os quase 800 livros; um DVD instalado por amigo querido e um puf que vira sofá cama e acomoda qualquer visita paciente com a gata doida que fica correndo pela casa em plena madrugada.
* “É por causa das qualidades de nossa mente e corpo que somos quem somos” [Simon Blackburn]
*Meus queridos, felicidade é se permitir!
dá o play!
25.3.08
19.3.08
8.3.08
piada interna:
- já estudou?
- não!
- mas e aí?
- aí que amanhã eu estudo!
- é né? e se chover tu estuda tudo de uma só vez!
papo de bêbo:
- garçom, quero meia fritas.
- sim senhora!
...
- meia fritas é batata frita só pela metade é?
- é! ou então batata servida em meia.
- ou então... aaaaaaaaaahhhh... chega de besteira!
incansáveis veredas
desladrilha teus versos.
segue um caminho sem palavras proferidas,
umas curvas sem rimas,
uma prosa descompassada.
cerúleo matinal
no cimo, a moleira.
um céu desencadeia,
estio amanhecer.
--
a alma impõe eus épuros,
feito as cascas nietzscheanas.
com pouco discernimento,
arranco-te todas,
e mal te reconheço!
--
sob os ventos tépidos de verão.
tua imagem móbil se verga no meio dos bosques, e some diante das sombras das figueiras.
sinto cheiro aprazíveis de inverno e frêmitas alegrias.
--
felicidade é poder comprar 7 caquis com 1 real e 20 centavos!
sem músicas!
- já estudou?
- não!
- mas e aí?
- aí que amanhã eu estudo!
- é né? e se chover tu estuda tudo de uma só vez!
papo de bêbo:
- garçom, quero meia fritas.
- sim senhora!
...
- meia fritas é batata frita só pela metade é?
- é! ou então batata servida em meia.
- ou então... aaaaaaaaaahhhh... chega de besteira!
incansáveis veredas
desladrilha teus versos.
segue um caminho sem palavras proferidas,
umas curvas sem rimas,
uma prosa descompassada.
cerúleo matinal
no cimo, a moleira.
um céu desencadeia,
estio amanhecer.
--
a alma impõe eus épuros,
feito as cascas nietzscheanas.
com pouco discernimento,
arranco-te todas,
e mal te reconheço!
--
sob os ventos tépidos de verão.
tua imagem móbil se verga no meio dos bosques, e some diante das sombras das figueiras.
sinto cheiro aprazíveis de inverno e frêmitas alegrias.
--
felicidade é poder comprar 7 caquis com 1 real e 20 centavos!
sem músicas!
1.3.08
carta para um amigoCaio, são vinte e três e vinte de um sábado chuvoso.
Saturno, nosso tão tenebroso Saturno me trouxe para terras mineiras.
Aqui é tudo muito lindo!
A cidade foi desenhada de maneira que deixa doido todo e qualquer transeunte com um mapa na mão. Há uns triângulos desnecessários no meio das ruas; os transportes coletivos possuem numerações parecidas, o que já me fez cruzar um bairro e outro em cima de um all star. Mas há beleza em toda esquina, em todo ladrilho e árvores soltas no meio da vida urbana.
Meus pensamentos, saudades e desejos sobem ladeiras, numa falta de fôlego que dá taquicardia, não sei se de ociosidade ou de emoção de ver a cidade sempre de um alto.
Quando a noite chega faz lembrar dezembro. Belo Horizonte parece que vive um Natal constante em todas as noites; as casas iluminadas brilham de longe, deixando o peito da gente apertado de tanta boniteza.
Tenho me inspirado em você, na sua ida à Londres, Berlim, Paris...
Abdiquei de um mundo, de uma Fortaleza imensa em mim, pra deixar que esse Horizonte se expanda nesse um metro e meio. Mudei de vida, de endereço, luxos e pernas pro ar.
Subo ladeiras, caminho vinte e quatro horas por dia em busca de emprego.
É Caio, o novo assusta!
Temo a cada passo, mas cada passo me mostra um novo instante, um recomeço, uns breus que clareiam; a simplicidade deixa a gente mais humilde, mais humano, mais maduro.
Vez ou outra me sinto deslocada, mas respiro fundo e deixo que as energias me guiem, assim como você; nessas horas me prendo às crenças, à proteção das turmalinas negras e as boas transformações das ametistas, carrego uma pendurada num cordão feito por mãos acreanas, bem dizer no meio do peito, pra equilibrar o tum tum tum, e de repente tudo se clareia diante dos meus olhos.
Quase sinto você pertinho sussurrando no meu ouvido:
“Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga, mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca...”
E... é mais ou menos assim quando temo; fecho os olhos e crio novos gostos, cheiros e fotografias.
E cada descida de cada ladeira me faz querer subir outra e outra e outra, porque sempre acho que lá no alto é que mora a tal felicidade
e bem sei que é verdade!
Meu amigo, te beijo carinhosamente. Luana.
dá o play
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