8.7.08

10 coisas para um dia feliz

1 – leite e cookies
2 – gatos
3 – cozinhar
4 – receber cartas
5 – internet
6 – papel maché
7 – chocolate
8 – dengo
9 – vinho em casa
10 – edredom


a música entraria como décima primeira. dá o play na seta!

7.7.08

Eis que no desespero, a gente se pega preenchendo cadastro de currículos on line, aqueles que duram hoooooooooooooras e que tem até limite de tempo para preencher, parecendo mais uma gincana virtual ou uma corrida contra o tempo, literalmente!
Pensei: que ridículo!
Mas respirei fundo e comecei a corrida.

Depois de perder minha tarde de domingo quase toda tentando lembrar o endereço de onde terminei o segundo grau [achei desnecessário isso, mas tudo bem!], consegui terminar a tempo!

Logo recebo um e-mail confirmando cadastro e um “mini relatáorio” descrevendo o meu perfil, vejam:

Como se comunica Luana Cavalcanti?
Luana Cavalcanti apresenta um estilo de comunicação em que a precisão e a troca objetiva de dados e informações assume um papel importante. Ela tende a preferir conversar sobre temas concretos em suas interações, sem grandes envolvimentos emocionais. De fato, essa orientação para detalhes e exatidão tende a se refletir numa postura menos confiante pois Luana Cavalcanti procura sempre verificar o resultado de suas análises, buscando, tanto quanto possível, evitar erros.
Ao interagir com seu grupo, Luana Cavalcanti procura obter apoio e guiar-se pelas normas e procedimentos de seu ambiente, refletindo uma certa dependência de seu meio e lideranças, aceitando e aliando-se às idéias deles. Isso costuma facilitar sua aceitação e sua interação na equipe.

Seu maior talento: Incentivar
Este Talento gosta de desafios que envolvam o mistério, o desconhecido e necessitem ser pesquisados, desvendados e recriados. Ele acredita que para tudo existe uma explicação e vai juntamente com outras pessoas buscá-la onde quer que esteja. Na ciência, na religião, nos livros ou no meio ambiente, estão os mistérios esperando por alguém que deseje decifrá-los. Perfeccionista, lógico, sistemático, sua busca se torna incessante até que consiga satisfazer a ansiedade por conhecimento que o devora. A cada descoberta feita novas conexões se formam em sua mente, apresentando novas formas. Não interessa se elas vierem a ser úteis, práticas, aproveitáveis ou não. Esta busca possivelmente se dará em conjunto com outras pessoas. O que interessa é que os questionamentos que burbulham na sua cabeça possam ser resolvidos. Ele tem capacidade de se concentrar e mobilizar pessoas. A persistência dos incansáveis que não temem recomeçar e a metodologia dos que desejam alcançar seus objetivos.

E mais uma vez pensei: geeente, a pessoa que escreve um texto desses tá perdendo uma grande chance de virar escritor de livro de auto-ajuda, seria um best seller. Ou no mínimo viraria guru, pai de santo, cartomante; aquele povo que vai falando bobagem e a gente respondendo com onomatopéias de humrum, humrum, humrum...

Bom, essa sou eu e-talent segundo a vagapontocom. Contrate-me!

tsc tsc tsc...

dá o play na seta!

4.7.08

.meta.mofo.vozes.mefamorfoses.

Ontem quis deixar minha unha crescer, hoje não mais!
Tinha combinado comigo mesma que compraria um esmalte cor de café; eu sempre quis pintar minhas unhas com esmalte cor de café ou pelo menos até ontem; subiria dois quarteirões, levaria na manicure pertinho aqui de casa e deixaria a felicidade me dominar por completo, só por estar levando o meu primeiro esmalte para o salão - eu sempre achei muito independente as patricinhas que levam seus próprios esmaltes para o salão, não que eu queira ser patricinha, mas eu queria muito ser independente -. Faz tempo que não me presenteio com um dia de manicure e pedicure, adoro ter que deixar meu pé de molho e folhear revistas de fofoca enquanto escuto Beach Boys; esvaziaria minha cabeça de toda filosofia pessimista, teorias da comunicação, esqueceria por um momento o Marc Augé e todo a solidão existente nos não-lugares, e cultivaria uma alegria genuína, arrancaria um sorriso e... e... quase consigo ver!
Mas mudanças são efêmeras, às vezes mentirosas e descompassadas, feito gente, gente é uma inifitude de máscaras e excessos, gente é como eu sempre digo, é uma linha tênue para qualquer extremo, é um abismo de segredos, nós cegos, gavetas empoeiradas e breus.
Hoje me agarro em verbos preguiçosos, porque hoje cansei de ser gente, queria ser uma pedra num bairro decente de Paris, ou escolheria dormir durante dias e mais dias, mas dormir deixa a gente lento, senão, esquecido.

E antes que eu me esqueça, continuo sendo gente, passível de mudanças, efêmeras ou não. E antes também que amanheça, vou ali comprar meu esmalte, porque como eu sempre digo:

Eu retrocedo!

dá o play no beeeeeeach boooooys!

1.7.08

Quando o amor tinha apenas uma consoante e uma vogal

Eram hiatos quase ditongos.
De um verde tão verde
Que na noite escurecida,
Se perdia num verde quase breu.

Uma vela amarela nunca acendida,
Ocasião que já morreu.

Tinha cheiro de andiroba.
Gosto de sono,
Sinal de abandono,
Gestos de preguiça,
Onde a saudade se perdeu.

Amor solúvel,
Volúvel,
Nasceu.

Novos cheiros de andiroba.
Cores bem amarelas,
Tão amarela quanto o dia que amanheceu.

Uma vela vermelha,
Chamas acesas,
Dançam ao vento,
Num tempo que não se esqueceu.

São oxítonas as palavras de amor.
Feitas de aquarela,
Posta em jarro a flor.
Esquecidas na parede branca,
Onde tudo ficou.
De um branco tão branco
Que causa rumor.

São os sonetos do peito
Que batem agudos,
Vastos
E confusos.

Têm gosto de sono.
Possível abandono
E distância de céus.

A vida de riscos
Do verbo arriscar.
Papel reciclado,
Borracha ao lado.

Caneta azul
De um azul lealdade.
Escritas sem linhas,
Rabiscam palavras
Que soam saudade:

Quando o amor tinha apenas uma consoante e uma vogal.

as rimas poooobres. dá o play!

29.6.08

Me olhava e repetia com uma certa indulgência: Seja mais calma, você precisa ser mais calma!
E molhava o biscoito no café quente, com tanta delicadeza que bastava eu congelar a imagem pra entender o que me pedira.

dá o play!

20.6.08

13.6.08

Depois de conversas intermináveis, remendos e tentativas de desatar os nós internos, ela lhe fez a pergunta que ele tanto temia, olharam-se com tanta intensidade, como se tentassem decifrar o que os passantes dali não enxergariam nunca; como se num piscar de olhos tudo fosse simples e passível de qualquer mudança; não deram nenhum passo, que era pra não demonstrar qualquer nervosismo ou cair numa ação impensável, por um segundo, o silêncio em volta não guardava sequer um segredo; ambos sabiam que dentro é como um buraco interminável.
E um simples gesto parecia suprir o que estaria posto como inacabado.

Balançou a cabeça num gesto de negação e a naquele mesmo instante, ele a deixou ali, naquela noite quase dia; caminhou cabisbaixo sem olhar para trás, porque olhar para trás era retroceder sem hesitação.

No dia seguinte, sabia que as noites frias caminhariam num solipsismo aceitável e que dele, surgiriam sentimentos genuínos, uma felicidade talvez.

dá o play!

7.6.08



Carta para um amigo:

Caio, mais uma vez pauso o meu tempo pra escrever pra você, contar das coisas de cá, de como seguem os dias nessa cidade de muitos altos.
Bem sei que vivermos em busca de firmamentos e os meus ainda não os tenho por completo, pelo menos até então, mas os que tenho me instigam a cada x marcado no calendário; é óbvio que incertezas sempre me assustam, são obscuras e silenciosas, às vezes sonsas, mas fiz alguns acordos comigo mesma e um deles é pensar o ontem como passado aliviado, os dias caminham lentamente em concretudes sutis, como se tivessem me dado a planta de uma casa e cada tijolo posto, é um muro de apoio que vou visualizando, e apesar de tudo, “não arredei o pé das minhas convicções básicas”, aliás, não as deixo de lado, em momento algum, não mais! O momento agora é de cultivar um certo egocentrismo, de olhar para o próprio umbigo, conversar com os botões e cuidar da própria sombra. Por vezes cansa carregar certos tijolos, amontoar, acimentar, firmá-los... tenho tido paciência com a lentidão de algumas coisas, que você e eu, meu amigo, - apaixonados por astrologia - chamaríamos de intriga de Saturno ou resolução kármica, pois há determinadas situações que precisam que sejamos tolerantes e amigos do tempo e como você mesmo diz, “claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato”.
Mas deixemos as reclamações melodramáticas de lado e falemos de coisas boas.
Belo Horizonte é uma cidade cheia de belezuras que faz a gente bater o pé e não querer sair dela. Há coisinhas bonitas feito cidadelas, interiores e uma urbanização tentando devorar tudo em volta, mas Belo Horizonte me parece persistente, que briga com o crescer globalizado de um jeito todo acanhado, manso e quieto. E nela encontramos na rua das sombras, o lugar certo pra descansar as nossas fúrias, colorir do nosso jeito e decorar do nosso gosto. Os quadros ficaram bonitos, a sala é tão ampla que dá até pra promover grandes eventos nela; o banheiro é grande e tem um box enorme que me faz pensar que estou tomando banho no banheiro do gigante do João do pé de feijão; temos um fogão novo para fazer café e cozinhar para os vizinhos da rua Dr. Jarbas Vidal... e agora somos três, um moço pra equilibrar os hormônios femininos da casa e levantar o dedo na hora de votar se no som toca Samba ou Radiohead. Há uma igreja aqui pertinho, onde o sino toca de hora em hora, um som um tanto melancólico mas muito bonito.
Depois de anos morando sozinha, é hora de reaprender a conviver com gente dentro de casa, respeitar o sono do outro, a privacidade e até os dias de mal-humor; é preciso se permitir viver novas situações e tentar tirar delas as melhores experiências possíveis.
Ah, meu amigo, recentemente consegui um emprego e recentemente saí do emprego, em uma livraria e editora, onde eu ficava arrodeada de livros fascinantes, trabalhando minha enorme compulsão por comprar livros e minha minúscula paciência com um trabalho de quase nove horas me impossibilitando de estudar para o tal mestrado, entre outras coisas; eu tinha cansaço e dores no corpo, a pele inflamada de tanto estresse, eu saía com os amigos e bem dizer dormia na mesa de bar, não de porre, mas de puro cansaço mesmo. Lembrei das suas cartas escritas de Estocolmo, e algumas coisas ditas nela me serviam de mantra, como, “acho que estou vivendo uma baita experiência: o orgulho e a vaidade que eu pudesse ter têm escorrido pelo ralo da pia, junto com a água e o detergente das panelas. No mínimo, é um tremendo exercício de humildade – e eu me sinto mais forte, mais humano”. Com o emprego ganhei um pingado de amigos lindos e um bom dinheiro, com o mesmo comprei algumas coisas para a casa nova, um tapete colorido, cabides e mais um amontoado de miudezas necessárias para o dia-a-dia, dei um banho na gata, pensando que se é pra mudar, façamos uma limpeza geral! Agora tudo bilha, tem cheiro de casa limpa; acendemos incensos quase todos os dias, para equilibrar as energias que carregamos de fora, dos outros, dos olhos gordos às vezes imperceptíveis. Ok Caio, eu tô sim cheia de cismas! Mais do que as de costume, mais do que as necessárias, mas quem não tem? Talvez eu precise de doses menos exageradas. E com isso, faço alguns exercícios pra relaxar algumas angústias, cismas e ansiedades. Trabalho a respiração antes de dormir e tenho caminhado no calçadão de uma avenida arborizada e movimentada, vejo pessoas bonitas, cultivo uma rotina que até possibilita que eu já comprimente um e outro que caminham na mesma hora, também o vigia da casa mineira, o rapaz da locadora, o mendigo que acende uma fogueira para se aquecer toda noite na esquina aqui de casa, a vendedora da padaria... e... é isso!
A rua Cardeal Stepinac - mais precisamente rua das sombras – agora acomoda um aglomerado de felicidade, outras impossíveis de descrever aqui. “E tudo por aqui, na verdade, vai bem. Pulo os poços, quando pintam - e como pintam! Mas não vou abrir mão de um pouco de alegria”.

beeeeela música. dá o play!