3.3.10

do nono andar

noite de chuva,
melancolia que desce ladeira no desaguar.
leva de tudo,
galhos, sujeira, pó e folhas secas.
seu rosto.
o reflexo da lua brilha como um espelho,
de longe, suas homogêneas lágrimas no meio das águas.
degelo.

1.3.10

Belo Horizonte já não me apetece.

Bastei das ladeiras e passos de um povo devagar!
Cansei das ruelas em asteriscos mal projetados, da tentativa de metrópole inacabada e dessa desconfiaça alheia.
Belo Horizonte nunca vai deixar de ser um projeto "do querer sempre mais".
Centros culturais rasgando a praça mais bela e o mineiro batendo palma feito menino da roça que vê um parque de diversão pela primeira vez.
Cidade do preço nunca posto, a mercadoria vale o valor da sua vestimenta, e o conselho é: para fazer compras e sair de bolso cheio, basta uma havaiana no pé que o mineiro terá piedade. A famosa hospitalidade camuflada...
Enjoei do sotaque fanhoarrastado, com palavras engolidas e português amarrado.
Quero uma metrópole de vergonha, uma cidade extremada, que não vista uma capa urbana de caixas de concretos e multidão aglomerada, quero a coisa escancarada, que flua ou pause num fluxo de verdade.
Não quero um lugar em que você é o time que você torce. Eu sou muito mais que caipiras com a bola no pé.
Eu quero muito mais do que esta cidade me oferece!

E dos dedos que preenchem as mãos, apesar de tudo, como toda cidade que cansa, Belo Horizonte tem sua exceção! mas, já deu o pouco que tinha que dar!

19.10.09

.condução.

Retenção do tempo. E o ponteiro do relógio não pára.
Há algo como “uma pedra no meio do caminho”, um carro amassado; alguém caído ao chão; intervenções urbanas ou grito de greve. Aqui meu tempo é volátil e tenho a sorte de não estar de pé.


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27.9.09

saudade não escolhe estações,
cresce como o ipê da rua ao lado.

amarelo intenso.

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16.9.09

quero rasgar o mar num pulo bem fundo e sem medo.
e deixar o mar me arrancar pro mundo.
sem medo.


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10.8.09

me olhava pelas lentes dos óculos escuros e dizia:

- é, mas nessa vida todo ganho tem alguma perda por trás.
- e o quê você perdeu ao me escolher?
- ...
- ???
- a tristeza!
- silenciei num sorriso quase choroso.

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5.7.09

se eu pudesse eu costurava o lugar onde te escondo;
escondia os meus defeitos num buraco ou qualquer canto,
e te amava sem o medo de perder esse encanto.
é tudo tão esparso, alargado feito um pranto.

aperta os meus dedos, que ardem de amor,
esperam o teu toque de quase brotar flor.
desgelo esse medo
que deságua sem pavor,

leva a poeira dos espaços
e qualquer possível dor.

preenche essa vácuo de puro desamor.
teu lugar é quase um mar
pra onde penso em fugir.
fecho os olhos para a noite
que ao teu lado pode ser fim.

gosto das rimas pobres. dá o play na seta!