Dia 26 de março de 2011,
acordei na madrugada com a pesada notícia, e o que fiz foi tentar deixar que as saudosas lembranças crescessem em mim e que me dessem uma pitada de alegria.
Nós da família Cavalcanti, da família Souza Bruzugu, da família jipeiros e amigos, fomos presenteados por ter tido o Dedé em nossas vidas.
E aceitar esse descanso com o peito mais calmo,
é sentir o cheiro gostoso de um acarajé e lembrar dele.
É tomar um café da manhã no mercado.
Contar uma estória engraçada.
É pular livre em um açude gelado.
Preparar um bom churrasco para os amigos e familiares.
É se lambuzar de lama empurrado um carro atolado.
Lembrar dele é tomar uma chuveirada gelada no quintal de casa.
É molhar o pão numa sopa quentinha,
É dormir sentado.
Parar no fim da tarde pra assistir o jornal.
Remendar os fios de um telefone pra distrair as angústias.
É ouvir qualquer absurdo de um jeito bem calmo.
É viajar de carro conhecendo cidades.
É curtir Fortaleza, Bonito, Bolívia, Peru...
Lembrar dele é segurar firme o volante de um jipe e subir montanhas, descer buracos.
É aventurar-se!
Lembrar dele é também cantar bem alto
“As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vão levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar”
É deixar que as velas levem as mágoas, as dores, a saudade e que todos os bons momentos sejam lembrados ou revividos com muita, mas muita alegria.
Vai Dedé, segura essa vela com a mesma firmeza que você segurava o volante de um jipe e vai ser feliz, que isso você sempre soube fazer.
[dedicado a Demóstenes Cavalcanti, tio "Dedé"].
Quando esse blog nasceu eu ainda estava na casa dos 20, era universitária, fanzineira, gostava de ler, escrever e beber gim. Aqui havia um template lindo, textos intensos e por hora idiotas, rimas ricas e pobres, uma leva de leitores fiéis e simpáticos, seus comentários assíduos é que deixavam essa bolha cheia. Agora, na casa dos 30, minhas sedes não são de gim, sou mestra, professora, leio teorias e tenho um novo par de olhos. Não crio expectativas quanto ao retorno. Não crie!
28.3.11
23.1.11
"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver".
[do meu eterno amigo fantasminha, Caio F.]
[do meu eterno amigo fantasminha, Caio F.]
6.11.10
Você voltaria a morar "na cidade onde enterraram o seu umbigo"?
Sempre que mudo de uma cidade para outra sou coberta por uma esperança indescritível, fico cega, surda e muda, e ao mesmo tempo enxergo beleza nas coisas mais sutis, no caos, no fluxo, nas luzes, nas pessoas, na riqueza e até na pobreza urbana, tudo me deixa maravilhada!
Fazer novos amigos é um tanto assustador e trabalhoso, mas de repente aquela chateação de contar sua vida tim tim por tim tim, até ganhar a aprovação do outro passa despercebida. Logo seu telefone não pára de tocar, é gente chamando para um bar, para dançar e lá está você, feliz ao redor de pessoas que até então eram desconhecidas.
Com o passar do tempo a cidade vai tomando outra forma, ficando pequena demais, acelerada demais, e viver nela é como desembrulhar um fardo diariamente.
Aí vem aquela sensação de retrocesso, quando na verdade você só buscava acertos ou apenas um lugar tranqüilo e feliz para viver, mas de repente você se depara com a deprimente possibilidade de não ter feito a escolha certa. Esse não é o local onde quero morar!
É como diz Caio Fernando Abreu, “você não sabe, mas acontece assim quando você sai de uma cidadezinha que já deixou de ser sua e vai morar noutra cidade, que ainda não começou a ser sua. Você sempre fica meio tonto quando pensa que não quer ficar, e que também não quer - ou não pode – voltar.”
Sair de uma cidade por escolha própria é sem dúvida ter a absoluta certeza de que ela já não é mais sua, de que você tem sede do novo e de maiores possibilidades. Para muitos, voltar é como assinar o atestado de erro, de fracasso. Você fracassou! E sempre vai ter alguém pra dizer: eu avisei!
O fato é que aqui no Brasil toda cidade é igual! Uma cidade pequena tem as mesmas falhas e confortos que outras cidades pequenas. Uma cidade grande caminha e cresce na ambição, na pausa ou rapidez de toda cidade grande.
Você pode até revisitar lugares em que foi absurdamente feliz, mas dificilmente as pessoas voltam a viver "na cidade onde enterraram o umbigo", por questões extremamente óbvias. Já não há novidade ali! E quando a outra cidade também deixa de ser novidade, quando você percebe que nas festas estão sempre as mesmas pessoas; no restaurante em que almoça tem sempre as mesmas comidas; que os sotaques são todos arrastados cada um do seu modo; que todo bairrista é fanático e defende uma imagem que quase nem sempre existe; que os excessos e carências são os mesmos...
Lembre-se, quando a noite cai e o sono se perde no embrulho do fardo, há sempre um sol brilhando do outro lado do mundo
Sempre que mudo de uma cidade para outra sou coberta por uma esperança indescritível, fico cega, surda e muda, e ao mesmo tempo enxergo beleza nas coisas mais sutis, no caos, no fluxo, nas luzes, nas pessoas, na riqueza e até na pobreza urbana, tudo me deixa maravilhada!
Fazer novos amigos é um tanto assustador e trabalhoso, mas de repente aquela chateação de contar sua vida tim tim por tim tim, até ganhar a aprovação do outro passa despercebida. Logo seu telefone não pára de tocar, é gente chamando para um bar, para dançar e lá está você, feliz ao redor de pessoas que até então eram desconhecidas.
Com o passar do tempo a cidade vai tomando outra forma, ficando pequena demais, acelerada demais, e viver nela é como desembrulhar um fardo diariamente.
Aí vem aquela sensação de retrocesso, quando na verdade você só buscava acertos ou apenas um lugar tranqüilo e feliz para viver, mas de repente você se depara com a deprimente possibilidade de não ter feito a escolha certa. Esse não é o local onde quero morar!
É como diz Caio Fernando Abreu, “você não sabe, mas acontece assim quando você sai de uma cidadezinha que já deixou de ser sua e vai morar noutra cidade, que ainda não começou a ser sua. Você sempre fica meio tonto quando pensa que não quer ficar, e que também não quer - ou não pode – voltar.”
Sair de uma cidade por escolha própria é sem dúvida ter a absoluta certeza de que ela já não é mais sua, de que você tem sede do novo e de maiores possibilidades. Para muitos, voltar é como assinar o atestado de erro, de fracasso. Você fracassou! E sempre vai ter alguém pra dizer: eu avisei!
O fato é que aqui no Brasil toda cidade é igual! Uma cidade pequena tem as mesmas falhas e confortos que outras cidades pequenas. Uma cidade grande caminha e cresce na ambição, na pausa ou rapidez de toda cidade grande.
Você pode até revisitar lugares em que foi absurdamente feliz, mas dificilmente as pessoas voltam a viver "na cidade onde enterraram o umbigo", por questões extremamente óbvias. Já não há novidade ali! E quando a outra cidade também deixa de ser novidade, quando você percebe que nas festas estão sempre as mesmas pessoas; no restaurante em que almoça tem sempre as mesmas comidas; que os sotaques são todos arrastados cada um do seu modo; que todo bairrista é fanático e defende uma imagem que quase nem sempre existe; que os excessos e carências são os mesmos...
Lembre-se, quando a noite cai e o sono se perde no embrulho do fardo, há sempre um sol brilhando do outro lado do mundo
Assinar:
Postagens (Atom)
