Me presenteei com um bonsai! Não demora e logo, ou melhor, domingo sairei com ela para comprarmos bromélias, lírios e rabinhos de tatus. Quero o apartamento cheio de plantas! Terei uma companheira para a hidroginástica e natação. Baralhos postos na mesa da sala. Aquele empanado de frango e batata doce quentinha esperando pro almoço. E ele cantando Adoniran Barbosa debaixo do chuveiro.
Perfume: a história de um assassino. Já remoí palavras pra tentar fazer uma minúscula resenha a respeito deste filme, mas às vezes o que me é intenso, é também absolutamente indizível. Estou separando mais uma noite ou tarde qualquer para apreciar o filme novamente, ou melhor, pela terceira vez. É que numa das piscadas a gente querendo ou não perde uma bela foto ou uma linda frase. Perfume é de uma sensibilidade e ao mesmo tempo de uma crueldade que perpassa os olhos e dá um beliscão no peito, no juízo; é um filme composto de imagens tão densas que possibilita sentir os odores que Jean Baptiste Grenouille tenta decifrar no decorrer das cenas. Não é somente a história de um assassino, mas do poder da sensibilidade, da pureza e da essência do perfume como um todo. É sabido que os sensíveis são algumas vezes também ingênuos, mas que essa mesma ingenuidade não é de tamanho vigor, já que a faculdade sensitiva é uma moeda de dois lados... Não é qualquer pessoa que consegue girar a moeda e fazê-la permanecer equilibrada por alguns segundos, é uma dádiva! Perfume fala da história de Jean Baptiste Grenouille e do que é vital no mundo.
"ele aprenderia a preserva o aroma para nunca mais perder beleza sublime"
PS - recado para os estudantes de comunicação social: esse filme dá um lindo, lindíssimo trabalho de semiótica!
brinquedo de autista
Eu agora tenho um caleidoscópio! Deito na cama, aponto para a luz que é pra ver as cores mais abertas... giro, giro e vejo um mundo lúdico diante dos meus olhos.
Foi Carnaval... Já não há mais cheiro de cigarros impregnado nos lençóis de cá. Quase desmarco com a faxineira, que era para o mesmo cheiro ficar e não aumentar a saudade. Foi um feriado tranquilo, com praia, serra... Um dia ainda compro uma casinha naquela Guaramiranga bonita para apreciar a paisagem bucólica dali; compraria também um laptop e uma poltrona de couro e, então, eu estaria em uma serra dando uma de Virginia Woolf em Monk's House. Ainda sinto o aroma das flores que essa Fortaleza desconhece; vi gansos atrevidos, sapos comendo mariposas, galinhas, flamboians e um frio que me trazia à boca o gosto do chocolate quente acreano. Bebemos o melhor vinho do Porto, brindamos, tiramos fotos para congelar o sorriso que era bonito. Agora tenho uma casa limpa, acendo incensos para se misturar com o cheiro da maresia e dessa coisa urbana onde me escondo. Livros novos na beira da cama e uma pretensão enorme piscando os olhos. Aqui tudo funciona em ritmo diferente, que nem sei descrever, mas parece que saí de um casulo, botei as asas pra fora e...
Para ela, branca cor margarida...Todo o meu amor. Feliz aniversário! Carnaval chuvoso, a Avenida Alberto Sá fica mais bonita quando molhada e vazia. Logo subirei a serra, com a calmaria daquele que tem nome de Santo e a euforia cândida dela. Quero uma garrafa de vinho para brindar o amor.
O lançamento do livro Semana foi lindo! Tudo superou as expectativas. O resultado, os elogios, o número de pessoas, a divulgação via jornal on line, via jornal impresso, com corte ou sem corte, tudo foi maravilhoso! A noite terminou com câimbra na bochecha.
"Dorme enquanto eu velo... Deixa-me sonhar... Nada em mim é risonho. Quero-te para sonho, Não para te amar. A tua carne calma É fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter nos braços Meu sonho do teu ser. Dorme, dorme, dorme, Vaga em teu sorrir... Sonho-te tão atento Que o sonho é encantamento E eu sonho sem sentir".