26.11.08

tem dias que a gente acorda meio grão de areia;
daqueles que se perdem no meio da praia ou até mesmo na ausência delas.
e sabe-se lá quanto tempo dure esse "estar grão de areia" ou aonde vou, o vento é que me guia.
obstinado.

"There are places I remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain

All these places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all..."


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17.11.08

Debruçada na cama, ela relia as cartas antigas, amareladas do tempo; os envelopes denunciavam a euforia do momento em que foram abertos.
Conseguia rever a cena em que o carteiro batia na porta da casa pra entregar carta daquele que acabara de sair dali.
Supreendia.
E nelas, palavras unidas na ousadia de decifrar o que antes era só de transparecer nos gestos mais simples e prazerosos.

Os dias passavam para modificar o branco do envelope rasgado.
Tão logo, o fardo.
Que não cabiam em cartas, mas na ausência delas.
Possível de decifrar também no transparecer dos gestos pesados, cansados e silenciados.
Agora a lembrança tinha a cor da saudade.

Do branco límpido,
Ao amarelo fardo, mas que cor a saudade tem?


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16.11.08

com o passar do tempo, as coisas vão ampliando, se alargando e é preciso crescer pra não se perder na miscelânea e expansão das coisas.

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14.11.08

dia desses falei com meus roommates o quanto eu acho ruim esperar ônibus sem ter um mp3 me distrair, tocando the killers e arrancando um sorriso de canto, fazendo eu pensar que toda segunda-feira é sexta. é ruim ficar sem mp3! as pessoas que ficam esperando o ônibus e também não têm mp3 simplesmente não conversam e fica aquele aglomerado de gente se olhando, intimidando, se intimidando, pensando em nada ou talvez em muitas coisas [como eu].
até tentei conversar algumas vezes... solto aquele puxar de papo patético do tipo: hoje tá quente não é? ou: parece que vai chover. mas nunca ninguém prolongava um papeado gostoso.
até que de uma semana pra cá eu paguei pela língua e já coleciono umas 3 estórias.
- fiz amizade com uma senhora simpática e que está doida pra casar o filho de 28 anos; no meio da conversa descubro que a mulher é minha vizinha. tagarelamos sobre tudo: casa, louça, estudos, família, dinheiro e assaltos [o tema do mês].
ela desceu no mesmo ponto que eu e ligou para o tal filho ir buscá-la, me deu carona até a porta da minha casa, me convidou para um chá e muito indiscretamente para fazer companhia ao seu filho.
ok, agora ganhei uma vizinha da rua atrás da padaria sabinão, número 601 e que deixou quase claro que me deseja como nora. prfff!
- conheci um estudante de geologia falante até demais, me contou que uma vez saiu da Ufmg bêbado com 2 laptops na mochila [6mil reais] e caminhou até a cidade nova [para quem não conhece é absurdamente longe], feliz feliz porque tinha passado em cálculo I [e já que o tema do mês é assalto, eu disse que ele era um sortudo, que podia ter chegado nu em casa].
conversamos sobre demais coisas e este mesmo rapaz me disse que Picos é a cidade da macumba. odorico meu roommate, natural de Picos, nega esta informação. alguém mais sabe me dizer se isso é verdade? [só por curiosidade, é que tenho pavor de macumba e saber disso seria importante, para o dia em que eu precisar visitar a família do meu roommate]
- o estudante de administração que veio do interior de Belo Horizonte [depois de muita conversa] veio me perguntar:
- aquiii, se eu for pro Ceará procurar emprego e no meu trabalho eu disser uma gíria daqui, tipo: "uai, a senhora só vai levar isso por hoje?"
o quê o povo vai fazer?
- ôxe, o povo vai rir de ti, ora mais!
- ôxe? hahahaahahaha...

parafraseando ney matogrosso:
de porto alegre ao acre, a língua só muda o sotaque.
bem dizer.

pois.
mp3 é o ca*****!
bom é conversar com estranhos!
quebrando toda as regras de mãe.


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2.11.08

Era uma manhã de sábado bonita, tinha chovido na noite anterior [fazia tempo que não chovia daquele jeito aqui, os raios clareando a noite, uma cena assustadoramente linda], a Av. José Cândido coberta de um verde que tinha até cheiro. Do lado direito da pista, as montanhas se escondiam numa beleza típica belo horizontina. Quase paro a caminhada só pra apreciar...
Mas apressei os passos para ver o que tinha mais e mais adiante, mesmo com o joelho pedindo arrengo, só pra ter por mais um tempo a paisagem que se cobria no azul amarelado do céu.
Me senti tão sadia naquele sábado, aliás, eu sempre me sinto mais viva quando caminho também nos finais de semana, penso logo nos games tipo super sonic, quando estamos buscando mais e mais argolas e quanto maior a quantidade, mais vida eu ganho.
Depois, tive ânimo para preparar um almoço farto quando se pensava que a geladeira era de um todo vazio. Leituras espanholas no meio da tarde, musicas e planos de cinema de graça num bairro bonito de Belo Horizonte.
Santa Tereza tem uma energia ímpar. E sair de casa pra ver filme de graça deixa qualquer pessoa feliz; teve jantar premiado, brigadeiro e toda a vida dos mutantes na tela grande pra deixar a gente pasmado.
Na volta, num quase domingo, o sábado se quebra como um cristal frágil, quando nos deparamos com um jovem perturbado, amedrontando e pedindo tudo que tínhamos de valor. Num instante, me cobri numa impotência que mais parecia cena de filme ou até mesmo um pesadelo.
Pensei em correr, mas em questões de segundos achei que seria feio demais morrer por causa de uma bolsa e, eu tinha que entregar minha bolsa!
Dentro dela ele levava o meu mundo.
Mas de todas as coisas que para ele seriam de muito valor, como cartões de crédito e celular, mp3... o que mais me doía era pensar que desse meu mundo, ele levaria de mim duas das pedras que me sustentavam desde um domingo de um ano ímpar, de um passado amargo quando percebi que na vida tudo é frágil como os cristais e que é preciso ter tato para não deixar que as coisas - amor, pessoas e estórias - se quebrem com tanta facilidade.
E meu domingo amanheceu dopado, sem alma e sem esperança - exatamente como naquele domingo aqui citado, [e tomo isso como um grande sinal], pois as minhas esperanças estavam guardadas num porta niquel vermelho que eu levava na bolsa e me sentia protegida como os escudos que conseguimos também nos games.
Minha força era bruta como toda turmalina negra e minha esperança singela e de um lilás clarinho, como toda ametista.

Agora, esse domingo quase segunda-feira vem finalizando com uma boa lembrança, porque no mesmo ano ímpar em que ganhei as pedrinhas, disseram-me: quando for a hora de não precisar mais das pedras, elas darão um jeito de se perder de ti e irão parar nas mão de alguém que precise delas.

Pois, que assim seja!

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