22.7.06

tudo aqui tem cheiro de infância.

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porque hoje é aniversário DELA. eu queria te dar uma tarde feliz, daquelas que só a gente consegue ter.

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trouxe cinco livros, mas não tenho conseguido ler nenhum.
pensamento longe...
nem caio, nem woolf me prendem.

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andei me "fantasiando" de publicitária esses dias...
a pesquisa qualitativa foi interessante, gostei! mas gostei mais ainda do preço que estão me pagando para participar dela.
eu acho que o acre é o grande lance!
só sei que depois da campanha, irei comemorar meus 25 aninhos em São Paulo, ao som de The Cardigans.
porque todo mundo merece realizar um sonho.

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"s"


21.7.06

Tocava Noel Rosa ao fundo.
Ele veio devagar e com os cabelos mais grisalhos que ontem.
Pediu com um sorriso nada forçado, que a atendente trouxesse uma tigela de sopa de feijão; quebrava algumas torradas ao meio, outras jogava inteira e as afogava com a ajuda da colher, bem devagarinho, numa cena coberta de melancolia e uma solidão gritante nos olhos.

18.7.06

Lá de cima, a minha terra é a mais bonita de todas!
Peguei o avião com a Fernanda Young, descabelada, diferente, como sempre, e lá, lá no aeroporto, com toda a demora das malas que não chegvam até os passageiros; após 10 minutos de reclamação da moça ela me tira uma máquina de filmar de dentro da bolsa e pede que Renata [sua amiga] filme a sua cara de abuso diante de toda a multidão que também esperavam suas malas, faz caras e bocas para a câmera, e eu ao lado, olhando tudo e esperando. Lembrei que eu também tinha uma câmera na bolsa, mas nem uma pitada de ignorância e arrogância, ou impaciência por dentro, essa era a diferença... minha timidez não me permite que eu bote em prática alguns de meus pensamentos, mas eu bem quis chegar pra ela e dizer: ô Fernanda, desculpa interromper seu teatrinho, mas só queria dizer que você está em solo acreano, que aqui algumas coisas funcionam bem, outras nem tanto... mas o povo aqui éextremamente apaixonado por sua terra, então, veja bem o que você fará com esse vídeo, porque até então eu ainda admiro muito o seu trabalho!
Mas a besta aqui calou. Calei! Mas é isso mesmo, a moça agora ganha dinheiro pra irritar o povo... é isso aê...
Bem, cheguei em Rio Branco, a casa reformada, muita coisa mudou. As cores, os ambientes, algumas coisas apagam um pouco do que eu guardava na lembrança, mas já abro espaço para novas histórias.
Eles reclamam de barulho, da bagunça, mas é notável o sorriso bonito quando os netos estão por perto, quase todos, faltou somente Joana que não veio por motivo de trabalho.
Tive um almoço especial para a minha chegada, Candice ia gostar da "galinha picante".
Meu avô agora arrumou uma profissão, é agricultor. Já plantou de tudo no terreno ao lado; tem mamão, côco, verduras, pitanga, manga e cana. O maior plano dele agora é que quando a cana estiver grande, no ponto, ele vai comprar uma engenhoca e fazer garapa para os netos.
Dormi com uma menina linda, a criança mais linda que já vi. Me fez contar histórias as duas da manhã, quando meu sono era o das quatro, por causa do fuso.
Amigos visitam, família também. É riso solto pela casa toda. Uma sensação boa, inexplicável. Ganhei um churrasco surpresa, com alguns dos poucos e grandes amigos que restaram, foi bom relembrar de mil e uma coisas passadas.
Amanhã vou dar uma de publicitária, acompanhar uma pesquisa qualitativa de um candidato a governador... vamos ver se pego gosto pelo meu diploma.
Leio Pedras de Calcutá, quando o calor permite.
Um Ipod tocando trilha sonoras de uma saudade que é imensurável. De tudo, de todos e alguns em especial.


Ouvindo Travis, Moby, Keane, Norah Jones, Los Hermanos.... A toda hora.

14.7.06




férias


duas semanas acordando seis e quarenta da manhã, para ouvir uma senhora tagarelar coisas bonitas e complicadas, também. e apesar de ter dado hoje um suspiro de férias, levo comigo alguns textos, porque tem artigo pendente e quatorze questões para elaborar e responder. ai!

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viajo domingo, ansiosa para ver todos. ontem descobri que estão pintando a casa, que já foi reformada, mas só agora vou poder ver, ouvi dizer que tá uma beleza!
as bodas de ametista do casal mais lindo daquele Acre promete ser animada, com banda tocando e tudo mais...
me contaram que o senhor delegado e aquela dos zoim baixo estão de sorriso largo com a "netarada" toda ao redor. ô véi babão!

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vinte quatro dias é tempo!
suficiente para descansar a cabeça e cansar com outras tantas coisas.
tempo pra acreditar em umas coisas e desacreditar em outras.
para agradecer estar longe de uns e lamentar a distância de outros.
tempo para lembrar e esquecer.
é tempo para o tempo.

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quero chuva para banho no meio da rua.
quero frio para ganhar abraço mais que de costume.
quero churrasco e sentar na mesa de três metros com todos os cavalcantis.
quero roubar papoulas para a sofia como se fosse a flor mais linda do mundo.
quero colo de mãe.
cafuné de avó.
dengo de avô.
quero dançar com o homem da casa.
morrer de rir com uma flor morena.
tagarelar literatura com aquele que é a minha versão masculina.
quero sorriso de amigos de infância.
quero férias no Acre pra melhorar o tum tum tum atordoado que tá aqui.

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"pois é, não deu
deixa assim como está sereno.
pois é de Deus
tudo aquilo que não se pode ver
e ao amanhã a gente não diz
e ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver.
pois é, até
onde o destino não previu
sei mas atrás vou até onde eu consegui
deixa o amanhã e a gente sorri
que o coração já quer descansar
clareia minha vida, amor, no olhar" [los hermanos]

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bye bye. darei novas notícias logo logo, com gostinho de cupuaçu.

12.7.06

tateando massinha.

remexeu no diário da filha para tentar compreender o motivo de tantas intrigas...
ao folhear os dias, leu:

"tenho me sentido uma massa de modelar!
feito aquelas que você pega e esquece ela nas mãos, vai só moldando, moldando, moldando...
amassa de um lado, aperta do outro.
hoje pareço um amontoado de massa de todas as cores, sem forma, sem jeito.
cores que vão se misturando e formando outras cores indecisas, indefinidas.
mas ainda espero uma forma bonita pra mim.
talvez uma boneca com cabeça, tronco e membro.
um sorriso largo, olhos apertados ainda como os meus.
eu seria uma boneca independente. e apesar de ser de massa, não deixaria que ninguém me modelasse.
aí eu me moldaria conforme o mundo, os dias, as horas, as pessoas.

... na certa eu seria mais feliz".

5.7.06


Apesar de.

Tinha um sol já bonito quando o ponteiro do relógio marcava sete da manhã.
E eu tenho duas semanas para acordar bem cedo e ouvir uma velhinha fofa explicar toda a função da literatura. Ela é tudo que eu quero ser quando crescer! Uma senhora faceira e sabida, que hoje me fez acreditar mais na minha especialização em Literatura Brasileira, me fez acordar mais disposta
Já a pós de comunicação e cultura... bem, melhor calar.
Pois... me expondo mais um pouco...
O que era dia nove, agora é dia dezesseis. Viajo somente dia dezesseis, vou carregar no peito as sempre dez pessoinhas com sobrenome saudade; vou cheia de tudo, cheíssima!
Como diz minha BEBEIM, eu tô valendo 2000 reais no "mercado branco". É isso aí! E mais uma vez, viva o tacacá, vivaaaaaa!!!
Bem... lá eu dormirei tarde e acordarei cedo; pelo menos uma vez na semana tomarei um café da manhã no mercado, com o velho mingau de banana e farinha de tapioca, bolo de macaxeira e "pão de milho". Matarei a saudade dele que canta Adoniran Barbosa para o mundo todo ouvir. Vou segredar com ela que é além de mãe a minha melhor amiga virtual. Vou jogar baralho com aquela que é um pocinho de delicadeza. Jantar picanha com a morena mais linda. Tomar sorvete com o oposto de mim. Vou buscar um sorriso num rio que não é branco... Um sorriso no meu Rio Branco.
Dos 15 livros novos que tenho e que ainda não li, levarei apenas Caio e Virgínia Woolf, não sei ainda se é a melhor escolha para vinte e poucos dias em que se quer descansar a cabeça e o peito; mas até então são os únicos já na mala.
O pacto com Agosto permanece; e sexta-feira já inicio a minha paquera com o segundo semestre. Espero que eu seja correspondida dessa vez.
Ando costurando planos em panos de cetim. Comprei envelopes para escrever cartas. Tenho mapeado uma mega festa pra matar a saudade daquela que vai para o interior e é recebida nada mais nada menos com um belo arco-íris. Já disse que isso é coisa divina, e não passa de um belo sinal.
Decidi não insistir mais no tempo alheio.
Ando catando dias bonitos ao lado daqueles que não preenchem todos os dedos das minhas mãos, mas preenchem o que vez ou outra parece um vazio em mim.
Prometi fechar os olhos para a multidão aglomerada que cataloga os meus passos.
E isso, e aquilo, e aquilo outro...


Eu ainda não comprei o girassol, mas já o vejo no meio daquela mesa preta de centro.