25.10.08

Esfacelamento
Quando na ausência de um toque, de olho no olho e leveza no meio de tanta tormenta, o que antes havia sido desenhando com lápis aquarelado – porque era sabido que qualquer que fosse a força das tempestades, dali haveria de formar uma imagem bonita, talvez um céu, uma pipa – se perde e se faz necessário o degelo quase que obrigatório de um sonho construído feito mosaico, de uma estória narrada de cor.
Era uma pipa de rabiola bonita e que num corte de cerol bem preparado, se rompe no meio do nada. E até que se chegue ao chão, é bonito de vê-la voar, sozinha, sozinha, numa lentidão só dela.

E em algum lugar, há sempre um menino serelepe, um outro menino serelepe, que avista e sai correndo atrás da pipa, numa disponibilidade ingênua de arriscar-se e remendá-la se for preciso.

Tão logo ela retoma no infinito azulado, dançante ao vento. Às vezes mais firme e mais colorida, ou num desenho aquarelado, porque seja forte ou não as tempestades, há de formar uma outra imagem bonita.


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20.10.08

16.10.08

Solidão era:
Um apartamento.
Alguém.
Um gato.
Vazio?
Som ligado bem alto.
Vinho.
Contemplável.

Solidão é:
Um apartamento.
Alguém.
Um gato.
Cheio!
Som ligado bem baixo.
Ausência de vinho.
Indesejável.

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Subiu a escada em passos tipicamente preguiçosos, um tanto atordoados também.
Cabelo rente e pele branca avermelhada do sol.
Sentou-se para ler Foucault. Parecia abusado; a testa franzida quase pedia que nos dias calorentos fosse proibido ler Foucault.
Eu, cabelo amarrado, pele branca avermelhada do sol, debruçada em teorias do cotidiano e suas narrativas.
O quê seriam das narrativas do cotidiano senão isto?
Era a segunda vez que eu e o via. Hoje, numa blusa listrada branco com azul clarinho, coçava a cabeça, abanava-se irritado, bufava o calor, desviava a concentração olhando constantemente o relógio...

Eu o observava com olhos de Netuno, quase lúdico.

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Ansiedade é roer as unhas até que surja um gosto de ferrugem na boca.

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13.10.08

11.10.08

São quase 11 horas da manhã belo horizontina.
Acordei a pouco [que feio!], e ainda não abri a manta bréga que uso como cortinas.
Mas um facho de luz que entra por uma brecha quase descreve um dia bonito lá fora. Estou pensando em não almoçar em casa! Só por hoje, pra poder sair, ver gente e sentir o cheiro da cidade.
Que cheiro essa manhã de sábado indecisa de frio e verão deve ter?
Eu que planejava correr hoje cedo, mas fui amarrada por um pesadelo essa noite e consequentemente, uma noite mal dormida, ando tendo pesadelos demais, penso inclusive em comprar um livro dos sonhos ou ler Jung. Não sei!
Há também nostalgia impregnada que faz com que eu sinta um bololô de sensações ruins, de se achar burra, preciptada, confusa e com medo, muito medo, mas daí explicar minuciosamente o motivo de tudo isso aqui, requer muitos posts e não cabe utilizarmos este espaço para um verdadeiro diário. Prefiro pagar terapia!
Mal acordei e vim pra frente da máquina, pra ficar mais perto do mundo ou o mundo ficar mais perto de mim ou pelo menos o meu mundo.
E o meu mundo tem dois extremos, quer dizer, agora, quase três.
E talvez seja por isso que se impregnam em pesadelos, confusões e medos.
Ou seria solipsismo?

Ok, acordei excessivamente nostálgica e confusa! Talvez eu seja um metro e meio que precise relaxar num divã [ou só preciso de alguém que me ouça pacientemente], por mais uma vez...
E talvez até sirva!
Por mais uma vez.

"Paper clips and crayons in my bed
everybody thinks that I'm sad
I take my ride in melodies and bees and birds
will hear my words
will be both us and you and them together
I can forget about myself trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
and please my day
I'll let you stay with me if you surrender"


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9.10.08

samba morena,
a dança imprecisa na ponta dos pés.
meu coração de sambista segue o tambor
e a lascívia ritmada do teu requebrar.

de longe vejo tua alegria,
arrastando meus sonhos na passarela,
perdida entre as serpentinas de carnaval.

não leva meu samba morena!
pois sem o alvoroço do samba
sou alma vagante, sem amor e sem dança.

sou samba sem par,
de pés parados no chão,
sonhando passos de cores em aquarelas
esquecidas no descompasso da ilusão.


--

aritimia
do Gr. a, priv. + rhýthmos
s. f.,
sem ritmo;
irregularidade nas pulsações
.

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e viva a rima pobre!

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8.10.08

je étudier le français,
j'ai lu en français,
je pense en français,
je médite en français,
je rêve en français,

mais je ne suis pas d'écrire en français!
pardon.
não mesmo!


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3.10.08

bem, queiram me desculpar o palavreado, mas eu não entendo porra nenhuma de HTML!
e hoje, depois de bem dizer 3 madrugadas viradas para produzir um projeto sobre flânerie virtual, fui mexer na configuração do blog, tentar uma outra cor, dar mais vida, mudar.
é sempre bom mudar!
então pensei num verde. a velha cor clichê da esperança, já que outubro entra me arrastando de um jeito em que só posso me prender em fios de esperanças, sejam eles frágeis ou não.
então, mexe pra lá e pra cá e...
acabei deletando a caixa de comentários sem querer!
sem querer mesmo!
porque eu já disse que não entendo porra nenhuma de HTML!
e não sei porque diabos eu invento de mexer em algo que não entendo.
e...
eu já pedi um help para pessoas que entendem a linguagem.
portanto, não se assustem com as mudanças aqui e principalmente, se eu não conseguir resgatar o sistema de comentários.

pois, eu só faço M****!


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saudade é sentimento que padece em simetrias

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