27.6.07



Vai, vai...
E não olha para trás.
Porque olhar para trás é como decorrer no tempo que já foi.
E esse tempo se esvaiu!
Virou fotografia.
Agora,
Segue os balbucios do teu peito.
Os rumores dos movimentos da vida.
Escuta-os.

Vai e te ama!

26.6.07

E foi assim, numa ida a São Paulo que decidi começar a comprar séries, Sex And The City. Comprei a primeira, ganhei a segunda, me presenteei merecidamente com a terceira, depois com a quarta, me emprestaram a quinta, depois a sexta [muita embora eu já tenha reservado um dinheirinho para obter as duas últimas temporadas; coisas de virginianos].
E qualquer hora era hora para ver um episódio, lanchei no quarto por esses dias, almocei no quarto por esses dias, jantei no quarto por esses dias.
Que feio!
Me peguei absurdamente viciada.
Quando aqui a gente fingia ter um dinheirinho a mais, vovô inventou de colocar TV a cabo, vi alguns episódios soltos, mas nada como ver a história costurada, os desfechos, os progressos dos modelitos das meninas do Sex And The City.
E várias pessoas me acompanharam nesta minha “crise”, quase necessitando de um AVS [Associação de Viciados em Séries].
A gente até se intitulava, fulaninnha é igual Miranda... beltraninha é igual Charlotte.
E tudo bem que eu precisaria ser linda demais, malhada demais, mas me identifiquei “demais” com a Carrie [minha quase melhor amiga].
Mulherzinha do pensamento ativo feito eu; aposto que ela é virginiana com ascendente em gêmeos e tem cinco planetas na casa de libra. Coleciona centenas de interrogações na cabecinha. Tem lá seus vícios e manias, um individualismo de leve, escreve em uma coluna dando seus passos para um livro, aaaaaaaaaaama até dizer chega e mesmo com suas interrogações, ela é maleável.
Definitivamente, quero ser Carrie Bradshaw!

.minhanossasenhoradostemposquentes.
Fortaleza é assim, é tempo de turistas nas áreas, é tempo de sol na moleira!
E Fortaleza às vezes esquece que julho tem gente que trabalha, vai pagar contas pelas manhãs, comprar o pão, ajeitar o carro que pifou em plena Santos Dumont ao meio dia, etc etc...
E esse sol meu Deus! Porque esse sol todo?
Nessa minha versão de Luana 2007 ponto 2, tenho que andar com uma garrafinha d’água na mão e de gole em gole dando um jeito nessa brincadeira besta de calor o dia todo.

.amém!.
- Voltei pro orkut!
- Foi mesmo? Mas não era você que dizia que orkut é coisa do demo?
- Era eu sim! E continuo achando que é coisa do demo!
- Mas você saiu exatamente por quê?
- Oura mais, porque é coisa do demo!
- Mas se ainda é coisa do demo, porque você voltou?
- Agora tenho meus chakras equilibrados, já o demo não, doido de pedra!

.lascou!.
descobri que no meu celular novo tem o jogo paciência, que por sinal no meu celular está intitulado de solitaire.
coisa mais deprimente! naaaammmm.
enfim, só mais um vício, agora pra fila do pão.

.romantismo contemporâneo.
- não, não me pague um sorvete de tapioca.
- porque?
- senão me apaixono.
- égua!

19.6.07




Porque eu imaginava o nosso mundo, como uma grande tela branca.
Onde poderíamos pisar descalços na tinta, e na tela pintar em pequenos passos tudo aquilo que rodopiava por dentro.
Como os quadros mais clichês que existem.
Porque amar é tão simples como uma pincelada.
Nós tínhamos sidos premiados; aquele mundo era todo nosso e branco.
E pintaríamos com os nossos pés, passo a passo, calmos ou apressados; porque às vezes o amor não espera.
Poderíamos escolher as cores, passear descalços e em vários tons, em degrades e sombras vibrantes.
Pintaríamos o nosso mundo com uma dança.
Seríamos melhor que Cézanne.
Segurando um na mão do outro, para evitar escorregões e ferimentos.
Eu havia prometido que nesse mundo pintaria nossa felicidade de azul.
E percorreria ele todo, ponta a ponta.
Dançaria nele, com você, um bolero para traçados mais finos.
Um samba pra colorir na nossa tela a alegria que existia.
Eu prometi ao amor uma bela arte.
Cheguei a dizer aos amigos que seríamos um quadro totalmente expressionista.
Daquele que as pessoas apreciam e sentem uma fisgada no peito, daqueles que é feito cisco no olho.
Seríamos dignos de uma bela moldura, grande e dourada.
Mas o azul acabou.
Passou pela escala do azul escuro, marinho, ciano, clarinho, até que chegou num branco.
Que de tão branco se confundiu ao branco da tela.
E como o amor não espera
Nela se perdeu.

15.6.07


Há coisas soltas e perdidas nesse mundo que se esconde no irreal.
As circunstâncias dessa vida tão normal. Cansei de achados!
Tudo é na verdade como virar a página de um livro.
Sede que parece morar na ponta dos dedos.
Ânsia que baixa as pálpebras numa piscadela rápida.
Um batimento acelerado que caminha na construção do que já foi lido.
Página virada. Página virada.
Tudo posto e imaginado.
E na cabeça há um outro mundo, a gente constrói um outro ambiente do que foi narrado.
Talvez mais bonito ou mais singelo.
Com texturas e cheiros.
Degradês de cores.
Lúmens azuis.
E antes que chegue ao fim, a gente entende que felicidade se dá na mesma rapidez em que viramos a página de um livro.
Precisão que surge do verbo movimentar. Infinitivo "e" pessoal.
E depois que o livro se fecha, é sabido que basta ter cautela na sede dos dedos, na piscadela dos olhos, no passar de uma página pra outra.

13.6.07

Ainda que chores debruçado
Acarinhando os meus pés.
Despejando seus anseios
De um tão desconhecido.
Lembrarei daquele olhar
De um ontem quase esquecido.

Em volta será verdade
Virando rebuliço.
Gritando dor no peito
Apertado mas destemido.

Ainda que chores verdades.
Nos lençóis de novos cheiros
Em lugar não mais vazio.

Te ergue que ainda há jeito
Não esconde teus desejos
Que por mais longo que seja
Há caminho para o desapego.

A noite é labiríntica
Cheia de ladrilhos.
Tem cheiro que lembra amargo.
Embora doce os orvalhos.

Coloque uma pedrinha no bolso.
Congele alguns instantes
Com um punhado de terra nas mãos.

Esqueça esse ar ferrenho
E esses gestos tão incautos
Que controlam o teu corpo
De um jeito perigoso.

E mesmo que seja pouco
Não será tão lastimoso.
Conceber o eco do vão.
O azedume da vida
E essa tentativa de ser são.

Toda felicidade é como uma gota.
Transparência
Que cai
Diante do vento
Do tempo.
De olhos
Fixos
Esquecidos no ontem.
No vazio discreto da queda
Quase insegura
Da gota.

E ainda que chores erguido
Num corpo de pouca fé.
Longe
Bem longe
Serei tua mulher
No tempo do infinitivo
Debruçada aos teus pés.

Lastimando
Lastimando
Ver
Ser
Cúmplice do teu viver
Carpideira do teu morrer.

gosto de rimas pobres e dos versos desconjuntados

11.6.07

Revista Cult
Mark Dery, meu querido! Seu artigo está muito bem escrito, mas por favor, defina melhor o que é um nerd, defina. Que se for o caso eu me moldo!
“BLOG É SÓ PARA NERDS”

Diálogo com turistas
- Olha Lu, que progresso heim!? Você aqui com a gente, dois dias seguidos na praia. Fazia quanto tempo que você não vinha dois dias seguidos na praia?
- Bem, acho que desde janeiro...
- Ah, não tá tão ruim assim!
- De 2006!
- Ahfff...

Diálogo dentro de casa
- Eu me surpreendi com você!
- E eu com você!
- Por quê?
- Como por quê? Vem aqui... se olha naquele espelho.
- Não vejo nada de errado...
- Esse é o problema!

Diálogo: praia do futuro x bezerra de menezes
- "Gente" é um negócio muito foda né?
- É!
- Porque tem que ser assim? Porque tem que sofrer pra aprender? Porque tem que ser confuso pra escolher? As coisas não podiam ser mais simples?
- Sei não... só sei que é preciso viver pra humanizar!
- ...

Diálogo via msn
- E esse sorriso todo...
- É meu! É meu!
- Eu sei que é seu menina, mas fazia tempo que eu não via assim, tão laaargo.
- É. Na verdade é porque fazia tempo que o tempo me escondia de mim.

Diálogo no meio da praia, uma dose de besteira
- Como será um curta-metragem pornô?
- Não sei... nunca vi, mas deve ser uma rapidinha.
- Certeza! E o roteiro de um curta pornô deve ser uma coisa mais ou menos assim: "Ai ai", "Uhhhh", "Fim"
- ...

Diálogo ao pôr-do-sol, outra dose de besteira
- Não tô conseguindo relaxar com os movimentos que andam acontecendo.
- Tenta menina, tenta!
- Minha cabeça tá a mil por hora.
- É nega, tá no inferno abraça o capeta.
- Não não... tá no inferno me abraça que o capeta sou eu!
- Prffff...

Diálogo projetado em piada interna
- Vamos viajar juntos ano que vem?
- Vamos!
- Quero ir para o festival de Parintins.
- Que ótimo, sou louca pra conhecer também!
- É mesmo?
- É!
- E você torce pra qual boi? vermelho ou azul? Caprichoso ou garantido?
- Num sei... gosto de azul, posso torcer pro boi caprichoso.
- Pois eu prefiro mil vezes ser garantido do que caprichoso!
- Ahhhhffff besteira!

Um trisco de felicidade é mais ou menos assim:
Caminhávamos na trilha do cocó.
Levei ela pra conhecer a trilha, porque estávamos cansada da melancolia sonolenta que nos tomava naquela terça-feira.
Eu achando que ia lhe mostrar um mundo altamente desconhecido... e acabei aprendendo com ela que ova de sapo é rosa; que no mangue do cocó tem vários tipos de caranguejo, entre eles, há um chamado “mão nos zói”, que é um caranguejo que só tem uma pata grande e usa pra tapar os olhos. Ela me mostrou a planta “melissa teu pai vem bebo”, uma plantinha que ao você triscar nela ela se fecha e nisso você pode vir com várias frases de efeito só pra ilustrar a ação. Inventei algumas, como: Cooorre menina! Fecha as pernas melissa! É hora de dormir! Pedaaaala melissa! Bebe cachaça melissa! Deixa de bico mansh! É matuta é? Larga de preguiça melissa!
Enfim, as garças são bonitas no meio da lagoa.
O cheiro da terra é muito bom.
Libélulas e mais libélulas.
Eu não sei como eu fiquei tanto tempo sem caminhar na trilha daquele cocó rei lindo!

É TEMPO DE HIATOS!

4.6.07


.onomatopéias de tum tum tum.

- Tá acordada?
- Humrum...
- Chega mais perto de mim. Consegue ouvir esse barulho?
- Sim sim...
- Vem daqui... Aqui ó.
- Tô ouvindo sim! Isso já aconteceu comigo também.
- É, eu sei que já! Já ouvi vindo de você. É sístole o nome disso aí.
- É? E como é isso?
- É quase um timbre sabe? O barulho da contração... consegue ouvir?
- Consigo. É igual o meu!
- É, eu sei que é igual o seu.
- E porque será que acontece isso?
- Não sei, só sei que quando você me toca eu vou de Dó a Dó, maior ou menor, e aqui dentro tudo vira dança!