se eu pudesse eu costurava o lugar onde te escondo; escondia os meus defeitos num buraco ou qualquer canto, e te amava sem o medo de perder esse encanto. é tudo tão esparso, alargado feito um pranto.
aperta os meus dedos, que ardem de amor, esperam o teu toque de quase brotar flor. desgelo esse medo que deságua sem pavor,
leva a poeira dos espaços e qualquer possível dor.
preenche essa vácuo de puro desamor. teu lugar é quase um mar pra onde penso em fugir. fecho os olhos para a noite que ao teu lado pode ser fim.
Há um breu dentro de mim! Que esconde toda e qualquer possibilidade de experiências compartilhadas. De falas soltas ao desconhecido, Narrativas nunca contadas. O breu de mim. Onde eu me perco e me acho sem muita proeza. Lá, nada é sublime e tudo é vastidão! O que não há muito sentido é esquecido. E quando nele encontro algo ainda de mim. Retrocedo calado. Sinto e contemplo-o junto a cidade, Dialogamos da maneira mais silenciosa. Até que torno-me hiato! Um grande e poderoso hiato, Maiúsculo e alargado No breu perdido em mim.
Chove muito lá fora. Chuva de São José. Desagua nos ladrilhos da rua mais bonita; Leva os pós das janelas agora embranquecidas. Leva as folhas secas do outono quente, como as esquecidas num livro velho. Debruço-me, lavo os olhos com águas salgadas. É bonito lá fora; tudo é mesmo muito bonito de fora. Melancolia reprimida na gota que se esparrama ao chão. Escorregam com peso, feito coisa com vida. Desaguam, desaguam... É chuva de São José. E cada amanhã suportarei o próximo; Os dias, as horas e a sombra inimiga do homem ao meu lado. Chove muito lá fora. E o fora parece mais límpido, Quase remoçando.
Deixou de lado o companheirismo do teto quase infinito. De um branco tão branco que nele refletia o pior de si. Era frágil como as flores em época de tempestades. E mais uma vez refletia a imagem, voltava como algo pesado, afundando-a cada vez mais no colchão. Tristeza tem gosto asco [pensava]. E os dias se perdiam no pornteiro do relógio. É cansativo existir! Até que as tardes se expandiam além do cubículo fechado. E passou a ser bonito, do lado esquerdo da cama, ele esticar o braço, puxar a cortina e olhar um outro teto, a boca do céu gritando o dia azul amarelado lá fora. Felicidade tem a cor que a gente dá.
Acho que ganho carteirinha carimbada por Walter Benjamin, Nietzsche, Platão, Aristóteles e demais filósofos apreciadores da melancolia. Pois este blog cria teia quando não há outra coisa para escrever senão tristezas. E permitam-me, mas eu prefiro assim!