feliz ano par! vai. vai e não me deixa resíduos! já aprendi a distinguir o gosto asco na boca; a evitar tudo aquilo que me falha! a saber que angústia é um alfinete no meio do peito que ao respirar ele dá uma pontada fina lembrando que tá ali. aprendi que amor que amor vira dança, amor que é amor não se cansa. que entre mágoa e perdão há uma linha tênue quase invisível, que para caminhar por cima dela requer passos de paciência. já entendi que o que escapa diante dos olhos são as miudezas mais supérfluas da vida. que aqui a gente é aprendiz. vai ano ímpar! júpiter há de ser mais forte desta vez! e peço ao Deus Jano, que abra dois mil e oito para uma vastidão de coisas boas. já sinto cheiro de dias lindos.
Eu arrumava a mala e ele ao lado. Quantas pessoas estariam arrumando suas malas naquele instante? Muitas, talvez... Mas talvez poucas estariam enchendo suas malas como eu. E ele ali, parado, escorado na parede lilás clarinho, calado, engasgado, será? Segurando uma lágrima tímida nos olhos bonitos. E eu arrumando a mala... Levando tudo meu, um pouco nosso ou tudo nosso. Inclusive ele.
- ele me roubou as palavras. - e agora? - agora eu calo. - mas pra sempre? - talvez! - mas... - ou pelo menos até que inventemos novos vocabulários... - é? - é! - tipo o quê? - tipo: mai euqué cê filiz coele, ele coeu, nóis coaviola, os zóio trifásico, as bila, o bêju, os dengo, a linguage grilês e as onomatopéias de amô! - eu hein!
Ela tinha o olhar pidão, como quem diz: - Mora em mim? Ele tinha o olhar sincero, desnecessário de qualquer gestos ou palavras, como quem diz: - Sempre, para sempre!