1.7.08

Quando o amor tinha apenas uma consoante e uma vogal

Eram hiatos quase ditongos.
De um verde tão verde
Que na noite escurecida,
Se perdia num verde quase breu.

Uma vela amarela nunca acendida,
Ocasião que já morreu.

Tinha cheiro de andiroba.
Gosto de sono,
Sinal de abandono,
Gestos de preguiça,
Onde a saudade se perdeu.

Amor solúvel,
Volúvel,
Nasceu.

Novos cheiros de andiroba.
Cores bem amarelas,
Tão amarela quanto o dia que amanheceu.

Uma vela vermelha,
Chamas acesas,
Dançam ao vento,
Num tempo que não se esqueceu.

São oxítonas as palavras de amor.
Feitas de aquarela,
Posta em jarro a flor.
Esquecidas na parede branca,
Onde tudo ficou.
De um branco tão branco
Que causa rumor.

São os sonetos do peito
Que batem agudos,
Vastos
E confusos.

Têm gosto de sono.
Possível abandono
E distância de céus.

A vida de riscos
Do verbo arriscar.
Papel reciclado,
Borracha ao lado.

Caneta azul
De um azul lealdade.
Escritas sem linhas,
Rabiscam palavras
Que soam saudade:

Quando o amor tinha apenas uma consoante e uma vogal.

as rimas poooobres. dá o play!

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